Chacina da Baixada: 20 Anos da maior tragédia policial do Rio de Janeiro

31 de março de 2025, a data que ficou marcada pra sempre na história da Baixada Fluminense. A Chacina da Baixada, como ficou conhecida a tragédia, completa 20 anos nessa segunda-feira (31).

Crime

Cinco policiais à paisana saíram pelas ruas de duas cidades matando moradores aleatoriamente. A bordo de um Gol prata, os PMs percorreram algo em torno de 15 quilômetros nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Qualquer pessoa que cruzassem no caminho se tornava um alvo. E em menos de duas horas, eles executaram a sangue frio, 30 vítimas com idades entre 13 e 64 anos. Foi a maior chacina já ocorrida no Estado do Rio.

Segundo testemunhas, os assassinos passaram a tarde de 31 de março de 2005, há 20 anos, bebendo em um boteco de Nova Iguaçu. Por volta das 20h30, entraram no Gol prata e começaram a matança. Armados com um revólver e cinco pistolas, os agentes cometeram vários homicídios sem sequer sair do veículo. Diversas pessoas foram mortas com apenas um tiro. Na Rua Gama, em Nova Iguaçu, os agentes desceram do automóvel, entraram num bar e em alguns minutos executaram dez pessoas.

Um garoto de 15 anos que estava no bar jogando fliperama com seus vizinhos sobreviveu à chacina se fingindo de morto, sob o corpo de outra vítima. Ele contou que seu amigo Leonardo Ferreira chegou a implorar “pelo amor de Deus” para não morrer, mas o assassino respondeu que “agora é tarde” e deu um tiro no rapaz. “O Felipe correu para o canto onde estavam as máquinas, mas o cara deu um tiro nele. Depois o Douglas foi atingido. O impacto foi tão forte que me sujou todo de sangue”.

De acordo com as investigações, a chacina foi uma retaliação dos PMs contra o contra o comando de diferentes unidades da corporação na Baixada. No 15º BPM (Duque de Caxias), um novo comandante vinha punindo policiais envolvidos com ilegalidades. No fim de março, um grupo de agentes reagiu de forma brutal, degolando duas pessoas e jogando a cabeça de uma delas dentro do batalhão. Quando o tenente-coronel Paulo César Lopes prendeu os envolvidos, outros agentes realizaram a chacina.

Para especialistas em segurança pública e até mesmo para a cúpula da PM, ficou claro que aquela foi uma ação de terrorismo, levada a cabo por agentes do Estado para afrontar o Estado.